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​Haja coração!

08.09.2014

A ansiedade vista sob outro prisma

Terça-feira à tarde. Dia atípico. Brasil e Alemanha entravam em campo pela Copa do Mundo. O Brasil jogava em casa e o país inteiro vestia verde e amarelo. População brasileira em volta de milhares de televisores. O juiz apita e a bola rola. Jogo duro.  E, então, chegamos aos 25 minutos do primeiro tempo... De repente, 1, 2, 3, 4, 5 gols da Alemanha! Brasileiros ficam em choque. Vaias. Gritaria. Inconformismo. Começa o segundo tempo. Torcedores do Brasil não acreditavam no que viam. O Brasil inteiro roía as unhas. A ansiedade tomava conta da população pelo medo de sofrer mais gols. Fim de jogo, 7x1 para Alemanha. É como diz um narrador famoso: “Haja coração!”.
 
Acho que ansiedade foi uma das palavras que marcaram essa Copa. Ficamos ansiosos quando o Brasil não conseguia marcar gols no México. Um torcedor carioca, inclusive, faleceu após um infarto na decisão por pênaltis contra o Chile, devido à ansiedade. Será que o brasileiro é ansioso?
 
A ansiedade possui diversas causas: no caso da partida, está relacionada ao stress emocional; no caso do versículo, refere-se à falta de confiança, no sentido de eu ser o único responsável pelo sucesso de determinada fato, tarefa ou missão. Qualquer que seja a origem, a ansiedade é um sentimento de apreensão vinculado a um desejo enorme de exercer controle sobre tudo - e todos também - e, como não dizer, um desejo de ser onipotente! Muda muito olhar por esse prisma, não? Claro que muda.
 
Graças às novas tecnologias e redes sociais, toda nossa vida tem sido influenciada por processos de instantaneidade. Tudo é para agora. Tudo é muito rápido. Imagine, então, quando nossos filhos estiverem crescidos? Eles possuem acesso imediato a um nível de informação que levamos décadas para obter. E, daqui alguns anos, terão ainda menos tempo para realizar cada vez mais tarefas. Essa sensação de obrigação de domínio de tudo parece ser cada dia mais exigida.
 
Agora, vamos combinar, a ansiedade que vivenciamos no dia a dia pode até nos deixar de cabelo em pé, mas é uma ansiedade corriqueira, que não necessariamente levará a um quadro patológico, - ou seja, desenvolver um Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Os sintomas característicos como sudorese, taquicardia e insônia podem - e devem! - ser amenizados com o uso de medicamentos indicados por um especialista.  Na verdade, na maioria dos casos, a ansiedade é até positiva. Ela faz parte da nossa pulsão de vida e das nossas defesas para nos reorganizarmos emocionalmente, a fim de mantermos nosso equilíbrio psíquico.  Isso mesmo: é preciso se desorganizar para reorganizar e renovar outra vez.  
 
Desse modo, não se torture se roer as unhas durante o exame do vestibular ou se não tiver dormido na noite anterior. É mais do que compreensível uma noiva ter um ‘piti’ no local de trabalho a uma semana do casamento. Ao agir assim, só estamos nos reorganizando emocionalmente. E caso você tenha ficado rouco de tanto gritar no jogo do Brasil, não se preocupe. Você foi apenas humano, ou melhor: foi brasileiro roxo!

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