Denúncia Le Lis Blanc

Sr. Presidente, Srs. Vereadores, é uma alegria muito grande retornar a esta Casa. Estava com saudade do meu trabalho e dos meus queridos Colegas. O motivo que me traz a esta tribuna não é dos mais felizes. Novamente, há dias foi encontrado na cidade de São Paulo mais uma oficina clandestina a serviço do Grupo Restoque, detentor das marcas Le Lis Blanc, Bo.Bo e também da John John. Mais uma vez o lucro fala mais alto e 28 bolivianos foram encontrados em trabalho escravo, em situações degradantes, em um cubículo com fios expostos, sem condições de alimentação decente, confinados. A história mais uma vez se repete, a exemplo do caso Zara, do grupo GEP, detentores das marcas Cori e Luigi Bertolli. Ou seja, os senhores de escravos modernos continuam atuando da mesma forma e alegando desconhecimento: “Ah, eu não sabia. Eu contratei uma empresa e ela contratou a oficina. Eu não sabia.” Ninguém desconfia dos lucros astronômicos que a empresa ganha pagando uma peça para um boliviano fazer por 8 reais e que vende, na loja, por 500 reais. É uma vergonha existir isso dentro do Estado e da cidade mais rica deste País; na verdade, usaria a palavra “nojento”. Dá nojo ver que empresários vivem de expedientes como esse.

Hoje, graças a Deus, por uma lei proposta pelo Deputado Estadual Carlos Bezerra Jr. e aprovada na Assembleia, em havendo diligência e a empresa sendo pega praticando esse tipo de expediente, o CCM será cassado e o empresário não poderá abrir outra no prazo de 10 anos. Mas tem gente que ainda defende os senhores de escravos modernos, dizendo que isso vai gerar desemprego no nosso Estado ou na nossa Cidade. Acho que ninguém entendeu ainda que aquelas pessoas estão em regime de escravidão. Elas não são celetistas. Queremos regularizar a situação dessas pessoas, para que elas venham a ser celetistas e tenham seus direitos resguardados, como salário e condições dignas de trabalho. Queremos que elas tenham uma alimentação decente e possam ter direito a uma casa e a um banho quente, mas não viver junto a fios elétricos, tomar banho gelado, dormir no mesmo ambiente em que elas costuram. E que não morram queimadas, como têm morrido nessas oficinas de costura.

Esta Casa deve ter consciência e sensibilidade para coibir que esses senhores de escravos modernos tenham lucros a custa de vidas humanas. Devemos nos enojar e tomarmos uma atitude, pois é para isso que estamos aqui.

Muito obrigada, Sr. Presidente.