Não ao Aborto

Boa tarde. Na figura do nobre Vereador Calvo, Presidente e proponente desta discussão extremamente pertinente, cumprimento os demais componentes da Mesa.
Apesar de conviver com a temática do aborto, pois sou casada há 18 anos com um médico ginecologista obstetra, confesso que fiquei sensibilizada e chocada com as imagens mostradas neste plenário.
Tudo que atenta contra a vida, atenta também contra a ordem natural das coisas neste mundo, contra nós, contra a divindade.
Diz Thomas Hobbes que o homem é o lobo do homem. É impressionante a capacidade que temos de ser, às vezes, autofágico, de provocarmos nosso próprio mal, de fazer mal ao nosso próprio corpo, de provocar coisas que, certamente, nos causarão profunda dor, um profundo sofrimento, um profundo arrependimento e causarão lucro para muito terapeuta, porque é impossível o aborto não gerar uma ferida imensa na alma de uma mulher.
Aquela cena do aspirador – nunca tinha visto – procurando o feto para ser sugado foi horrível. É chocante, ainda mais para uma mãe de duas meninas. O feto fugia e se esquivava daquilo. Vendo isso, não há como não se declarar contrário a esse tipo de opção, de dizer “não” ao aborto e se declarar favorável à vida. Não há como se colocar em cima do muro diante de uma opção como essa.
Temos de pensar também numa forma de acolhida, como Poder Público, para essas mães que se encontram em estado de agonia. Por quê? Porque temos de dar uma opção para que, fazendo opção pela vida e de não abortar, elas também se sintam acolhidas e amparadas. Não basta só fazermos apologia pela vida. Temos de oferecer plenitude de vida a essas mães. Elas têm de ser acolhidas. Temos de oferecer a elas boas condições para a chegada de um bebê.
Graças a Deus, na cidade de São Paulo, já existe o “Mãe Paulistana” e, se Deus quiser, teremos o “Parto sem Dor”, minha proposta de lei. Haverá anestesia na hora do parto vaginal, procedimento que, hoje, não existe na rede pública. Essas gestantes precisam de recursos para poder ter seus filhos. A maioria delas se vê numa situação difícil e de desespero porque não tem seus parceiros. Os pais não sabem da gestação, que é escondida. Elas precisam de enxoval para o bebê, manter essa criança, então é necessário um amparo a essas mães para gerarem esses bebês com tranquilidade. Não basta só falarmos: “Olha, não faça uma bobagem. Não faça o aborto.” A questão é muito mais ampla que isso, é muito mais profunda que isso, muito mais complexa que isso. Temos de viabilizar condições para que essa mãe traga essa criança ao mundo, mas também, de criá-la com tranquilidade e de dar conta dela, no decorrer dos anos, isto é, de poder vesti-la, de poder alimentá-la e de poder suprir suas necessidades.
Por isso, como rede pública, somos responsáveis também por essa decisão. Temos de ter muita responsabilidade no que estamos debatendo. Vamos defender a vida, mas também defender essa mãe. Temos de cuidar dela e garantir seus direitos, assim como de seu filho. Então, não basta só dizer “sim” à vida, mas “sim” a essa mãe, a essa criança, para que tenham todos os direitos garantidos. Temos de fazer, como Poder Público, com que todos esses direitos sejam garantidos. Vossa Exelência tem o meu apoio nisso, desta Casa e de todos os Srs. Parlamentares que aqui estão, porque a vida e tudo que diz respeito a ela é premissa básica, o nosso bem maior.
Sim à vida sempre.
<span 1.6em;"="">Muito obrigada, Sr. Presidente.