Parto Sem Dor

Vou falar em dor. Como a maioria do auditório é do sexo masculino, dor não é algo típico dos homens. O limiar de dor masculino é muito menor do que nas mulheres. O nobre Vereador Andrea Matarazzo está dizendo que existe a dor da alma.

Uma pesquisa da revista Super Interessante apresentou um ranking das dores tipificadas como as maiores dores físicas que alguém pode sentir. Em primeiro lugar das dores elencadas, já conhecida de todos, é a do infarto. É a dor mais potente que um homem pode sentir, digo o gênero homem, embora a mulher sofra menos infarto do que o homem. A angina do infarto pode durar aproximadamente de cinco a, no máximo, 30 minutos. Se estiver errada me corrija, nobre Vereador Natalini.

Em segundo lugar, a dor do parto está ranqueada como a mais forte. E em terceiro lugar, está a cólica de rim. Não sei quantos aqui no auditório já tiveram cólica de rim.

Vou me ater nesses três níveis de dor que foram elencados. Por que vou falar disso? Embora o infarto seja a dor mais potente que um homem pode sentir, no sentido genérico, sua extensão de tempo é muito mais curta do que a dor do parto. A dor do parto pode durar de dez minutos até 16 horas. A angina do infarto, não. Pode durar no máximo até 30 minutos.

Já dei entrada nesta Casa a um projeto de lei que vai garantir a toda gestante matriculada na rede pública de saúde a ter o direito da analgesia no momento do parto natural. Hoje, na rede pública, a gestante dá entrada no hospital e pode evoluir de uma a 16 horas num trabalho de parto sem direito à anestesia. A anestesia, hoje, só é concedida se a gestante se submeter a uma cesárea por se tratar de intervenção cirúrgica. Mas, se for um parto vaginal, não tem direito à anestesia.

Queremos que esse direito seja garantido. Que não seja um direito classista de quem pode desfrutar de um convênio médico, de quem faz parte de uma classe social que provê à gestante a anestesia na hora do parto.

Pasmem, o custo por intervenção dessa anestesia seria, em média, de 25 reais. A rede pública já possui o anestesista na maternidade. Falta vontade política de dispor desse anestesista para se realizar essa intervenção. É desumano não permitir que essa gestante, matriculada na rede pública de saúde, tenha acesso, tenha o direito, a humanidade de não ficar sofrendo uma dor desnecessária, a dor da expulsão, pois o momento da expulsão do bebê é tão nobre, é tão lindo, é trazer seu filho ao mundo, e deveria ser com menos sofrimento, com menos angústia do que acontece na rede pública.

Esta Vereadora deu entrada nesse projeto de lei. Espero que sensibilize, de alguma forma, o Plenário, os Vereadores presentes, que sejam favoráveis nas Comissões, que votem a favor e que seja aprovado e sancionado pelo Executivo.

Muito obrigada, Sr. Presidente.