​Alvos de exploração infantil, agências de modelo e escolinhas de futebol possuem projeto para regulação

Medida de Patrícia Bezerra cria mecanismos para diminuir abuso sexual de crianças e adolescentes

Sonho. Essa é a palavra que move a maioria das crianças e adolescentes ao redor do mundo. Muitas delas abrem mão dos estudos e da família para realizá-los. É comum ouvir histórias de meninos e meninas que desejam se tornar jogadores de futebol ou modelos profissionais. Nessa empreitada, infelizmente, crianças estão sujeitas à exploração, que vai desde trabalhos forçados até ao abuso sexual.

Há depoimentos de crianças que são afastadas de seus pais e direcionadas por ‘olheiros’ para morar em alojamentos em condições precárias, sem supervisão constante de adultos e de sua família. Nesses locais, tornam-se presa fácil para atuação de pedófilos e abusadores, que, muitas vezes, utilizam promessas de conseguir vagas em clubes ou publicidade para justificar abusos sexuais.

Durante a CPI da qual foi relatora, Patrícia Bezerra conheceu de perto essa realidade.  Foram recebidas inúmeras denúncias na Comissão. Para combater esse crime, a parlamentar deu entrada em dois projetos de lei para a regulamentação das escolas de futebol e das agências de modelo, com ações que dificultem a exploração de crianças.

Dentre as principais medidas, estão: o impedimento de menores de 14 anos morarem em abrigos ou alojamentos; a garantia à privacidade das crianças, restringindo a dois o quantidade pessoas por quarto; a presença de um supervisor adulto 24 horas por dia; além da matrícula e do curso regular na escola.

“Essa realidade é muito chocante. Sirvo a um mestre que me ensinou que o reino é para aqueles semelhantes a crianças, e que o salvador veio ao mundo em forma de menino. Se as crianças não têm quem fale por elas, ou ainda não sabem falar, eu me dispus a ser a sua voz e lutar para que seus direitos sejam respeitados”, explica Patrícia Bezerra.