CPI faz acareação entre diretorias da Unimed Paulistana

Após algumas tentativas, a CPI dos Planos de Saúde conseguiu, enfim, fazer uma acareação entre integrantes da ex-diretoria da Unimed Paulistana (que estavam ‘protegidos’ por um mandado de segurança) e a atual gestão da operadora, em reunião realizada nesta terça-feira (1/12) na Câmara Municipal.

O ex-presidente, Paulo José Leme de Barros, e o ex-diretor financeiro, Valdemir Gonçalves, afirmaram que embora a empresa atravessasse uma crise financeira desde 2009, todos os tributos foram contabilizados e aprovados pelo conselho fiscal na troca da diretoria.

“Contabilmente a empresa teve um resultado positivo. Do ponto de vista contábil, se o resultado operacional estava negativo ele vem decaindo. As questões tributárias também vêm reduzindo ano a ano. Nós precisávamos melhorar a operação? Sim, precisávamos e estávamos cada vez mais com projetos para isso”, afirmou Barros.

Já para o atual presidente da Unimed Paulistana, Marcelo Nunes, os custos de um plano individual na seguradora eram maiores do que a receita mensal, que girava em torno de R$ 220 milhões, quando assumiu a gestão em março de 2015. Deste montante, cerca de R$ 160 milhões eram de adiantamento de títulos, concedidos pelas operadoras de crédito. O levantamento foi feito por uma empresa de auditoria externa.

“Mais de um bilhão de impostos, pelo menos R$ 200 milhões com a rede credenciada, pelo menos 100 milhões com as instituições financeiras. Estamos falando da casa de um bilhão e meio de reais de forma indiscutível”, argumentou Nunes.

A atual diretoria também disse que não houve tempo hábil para colocar em prática um plano de recuperação. Em setembro deste ano, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) decretou a alienação compulsória da carteira de beneficiários, que representava quase 750 mil clientes.

“O plano seria em relação aos débitos tributários e o pagamento mediante aos parcelamentos. O resto da dívida poderia ser revertido através de um plano de recuperação que foi feito com a PWC (PricewaterhouseCoopers). Um plano consistente, apesar das críticas, mas o resultado seria lento. Teríamos um resultado positivo da cooperativa só em 2017, 2018”, finalizou o atual diretor presidente operadora.

A presidente da CPI, vereadora Patrícia Bezerra (PSDB), considerou a atitude da ANS precipitada. “A ANS deve muito, tem muita explicação a dar. É omissa, foi omissa e tem uma prerrogativa, unipotente, que pode tudo. Então ela delibera, determina e toma decisões sem consultar nenhum outro órgão. Ela fica muito empoderada para tomar decisões que não caberia só a ela tomar e que tem um impacto na saúde de toda uma nação e de uma cidade como a nossa”, criticou.