​Proibido constranger mulheres ao amamentar

Lei de Patrícia garante amamentação livre; medida protege a saúde do bebê afirma órgão especialista

“É um absurdo, mas infelizmente é verdade. Em São Paulo, muitas mamães ainda sofrem preconceito, ofensas e até bullying ao amamentar em público”, afirma Patrícia Bezerra. A frase anterior representa muito bem a principal motivação para a criação da lei, sancionada em abril, que pune estabelecimentos que constrangerem amamentação em público, com multa de R$500, e dobro em caso de reincidência.

Em 2013, no SESC Belenzinho, a turismóloga Geovana Cleres, 35, foi advertida por um funcionário para que não amamentasse seu filho em público. Ela foi orientada a amamentar no banheiro. Inconformada com o acontecimento, por meio das redes sociais, promoveu um mamaço de repúdio ao ato, em frente ao SESC, o que originou o projeto de lei.

“O propósito da medida é combater uma situação deplorável para a mulher e seu filho. Ao deixar de amamentar a criança no momento em que ela pede o peito, estamos desrespeitando seu direito. Isso é extremamente danoso à saúde do bebê, pois geralmente a mulher é aconselhada a amamentar no banheiro. Já se viu local mais insalubre para alimentar  uma criança?”, indaga a vereadora.

Geovana, a mãe constrangida no SESC, elogiou a lei da amamentação e considera a lei acolhedora às mães. “É uma lei que acolhe as mulheres. O ideal seria não precisar de leis para garantir o direito a atos tão naturais quanto o da amamentação. No entanto, penso que a medida é necessária para que a sociedade reflita e comece a olhar a nudez de um seio que amamenta com naturalidade. A lei atua no sentido da amamentação em livre demanda e, por isso, considero a medida um progresso para São Paulo”, explica.
 
A Sociedade Brasileira de Pediatria considera que, ao amamentar sob livre demanda, ou seja, na hora em que o bebê quiser, traz inúmeros benefícios ao bebê. "Geralmente, a criança que mama, quando quer, perde menos peso depois do nascimento, o que estimula mais a lactação da mãe. Além disso, assim a criança vai aprender a lidar com a saciedade, o que reduz risco de obesidade no futuro", explica Valdenise Calil, presidente do Departamento de Aleitamento Materno.

Preconceito sofrido na pele
Patrícia sabe muito bem o que é ser constrangida ao amamentar. Já sentiu na pele o que é passar por essa situação. “Eu era mãe de primeira viagem. Tudo era novo para mim. Fui a um restaurante, e quando fui amamentar a Giulianna, o garçom pediu para que fosse a um ‘local apropriado’ para isso, que por incrível que pareça, era o banheiro, colocando a saúde dela em risco. Se fosse hoje, com certeza exigiria o cumprimento da lei, que garante meus direitos”, finaliza a parlamentar.